A Prefeitura de Bagé lançou nesta semana o programa Bagé Resiliente, um conjunto de ações e investimentos voltados à prevenção e mitigação dos impactos causados por eventos climáticos extremos. Com aporte superior a R$ 21 milhões, a iniciativa reúne, incialmente, obras de infraestrutura, saneamento, recuperação de prédios públicos, desassoreamento de arroios, arborização urbana e renovação da frota de máquinas do município.
O programa foi estruturado especialmente para fortalecer a capacidade de resposta da cidade diante dos eventos climáticos previstos para o segundo semestre deste ano, ampliando a segurança da população e a proteção dos serviços públicos essenciais.
Entre as ações previstas está a recuperação de telhados e redes elétricas de prédios públicos, com investimento superior a R$ 2,5 milhões, oriundos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. As melhorias contemplam escolas, unidades de saúde, centros de assistência social e outros equipamentos fundamentais para o atendimento da comunidade. Também integra o programa a aquisição de 16.800 telhas, em um investimento de R$ 1 milhão.
A secretária de Gestão, Planejamento e Captação de Recursos, Júlia Reschke, explica que o processo para aquisição do material já está em andamento e permitirá uma resposta mais rápida às famílias atingidas por eventos climáticos. “A licitação das telhas já está em andamento. Serão compradas telhas para as famílias que já se cadastraram junto à Smasi e o restante ficará disponível para atender novas necessidades que possam surgir diante das intempéries. O objetivo é reduzir os impactos dos eventos climáticos, garantindo mais proteção à população e serviços públicos mais seguros”, destaca.
Na área de infraestrutura urbana, o município realizará a pavimentação de vias com declive acentuado que desembocam em arroios, medida que busca reduzir o carreamento de sedimentos e o consequente assoreamento dos cursos d’água. Para essa ação serão utilizados recursos provenientes de emendas parlamentares dos deputados federais Paulo Pimenta, no valor de R$ 4 milhões, e Denise Pessoa, no valor de R$ 500 mil.
Segundo o secretário de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano, Edegar Franco, a definição das áreas prioritárias partiu de um diagnóstico realizado diretamente nos bairros mais afetados. “Nós percorremos a cidade junto com o prefeito e os secretários para visualizar de perto os problemas e definir as pavimentações de forma muito real. É fundamental que consigamos pavimentar áreas com grande declividade. Estivemos no Castro Alves, que possui ruas com inclinação superior a 40%, levando material diretamente para os arroios. O mesmo acontece no São Bernardo. Estamos realizando o levantamento das vias prioritárias para minimizar esse impacto e já iniciamos as tratativas com o setor de licitações para dar andamento ao processo.”
O secretário também destaca a importância da renovação do parque de máquinas municipal, que contempla a aquisição de uma retroescavadeira, três motoniveladoras e dois tratores, em investimentos superiores a R$ 2,5 milhões. “As máquinas que já chegaram e as que ainda estão previstas são fundamentais para ampliarmos nossa capacidade de atuação tanto nas ações preventivas quanto nas intervenções necessárias após eventos climáticos.”
Os investimentos em saneamento básico somam mais de R$ 7,3 milhões. No Bairro Castro Alves estão sendo aplicados R$ 6,2 milhões em obras de saneamento, além de uma contrapartida social de R$ 200 mil. Também está em construção uma estação elevatória no mesmo bairro, ao custo de R$ 583 mil, e a implantação de um interceptor de esgoto no Passo do Onze, com investimento de R$ 321 mil.
O diretor do Daeb, Max Meinke, ressalta que as intervenções terão impacto significativo na ampliação da coleta e do tratamento de esgoto no município. “O Castro Alves concentra cerca de 4% da população de Bagé. É um investimento com grande impacto em termos de esgoto coletado, tratado e destinado corretamente, contribuindo para a saúde pública e para a preservação ambiental.”
Complementam o programa, no que tange ao Daeb, os recursos destinados ao desassoreamento de arroios, que somam R$ 2,5 milhões. Sobre o desassoreamento dos arroios, Max Meinke explica que a iniciativa integra uma estratégia ampla de prevenção a enchentes e alagamentos. “A ação será executada nos próximos meses como medida preventiva contra enxurradas e alagamentos que, em diversos momentos, causaram danos e prejuízos à cidade. Os recursos são do município e do Daeb, fruto da contribuição da população por meio da tarifa de água”, diz.
Segundo ele, a primeira etapa será dedicada à remoção dos sedimentos acumulados nos cursos d’água. “A principal ação, mais importante para prevenir riscos imediatos à vida, será o desassoreamento, a dragagem e a limpeza dos arroios, por meio da contratação de serviços especializados.”
O projeto também prevê a recuperação de áreas degradadas, recomposição da vegetação nas margens dos arroios, instalação de ecobarreiras, desenvolvimento de estudos de qualidade ambiental para monitoramento e licenciamento, além do aprofundamento do mapeamento das áreas de risco. “Já realizamos uma primeira etapa do mapeamento. Agora vamos avançar para identificar quem está inserido nessas áreas de risco e produzir diagnósticos que possam subsidiar políticas públicas permanentes de prevenção e adaptação climática.”
O secretário de Meio Ambiente e Proteção ao Bioma Pampa, Tibério Bassi de Mello, falou sobre o Plano Municipal de Arborização Urbana, com investimento de R$ 700 mil, que deve contribuir para a drenagem urbana, a qualificação ambiental e a adaptação da cidade às mudanças climáticas. “A construção de um plano de ampla arborização do município vem justamente ao encontro desse cenário de riscos climáticos. As árvores contribuem para a redução da temperatura da cidade, ajudando a minimizar o efeito criado pela concentração de asfalto e concreto. Essa é uma medida que busca mitigar os impactos climáticos não apenas para garantir melhor habitabilidade e qualidade de vida às pessoas, mas também para reduzir os efeitos dos eventos extremos.”
Segundo o secretário, o plano está em fase de elaboração e tem como referência experiências internacionais de sucesso, como a cidade de Medellín, na Colômbia. “Estamos desenvolvendo a primeira etapa do plano dentro do governo, construindo um projeto amplo de arborização para Bagé. Será uma ação coordenada pela Semapa e colocada em prática gradualmente em toda a cidade.”
Durante o lançamento, o prefeito Luiz Fernando Mainardi destacou que as ações apresentadas já possuem recursos assegurados e estão em andamento ou prontas para iniciar. “Isso aqui não é um projeto futuro, não é algo que vamos buscar. É o que nós estamos fazendo, é o que nós temos recursos para iniciar as obras. O que efetivamente podemos dizer hoje é que Bagé terá uma política resiliente aos problemas que estamos enfrentando e aos problemas que estamos vivendo.”
Mainardi também ressaltou a importância da participação da sociedade na construção das estratégias de prevenção e adaptação. “Quanto maior for efetivamente a participação da comunidade, mais ampla será a nossa capacidade e mais forte será a implementação dessas políticas.”