As perdas no município ainda não permitem a instalação de situação de emergência, mas laudo deve ser elaborado nas próximas semanas
A Prefeitura de Bagé, Daeb, Defesa Civil e Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural (Comder) estiveram reunidos, na manhã desta sexta-feira (13), para debater a situação da estiagem no município. Um novo encontro será realizado em março para avaliar os impactos da falta de chuva e possível decretação de situação de emergência em Bagé. Também esteve presente na reunião, o meteorologista da Secretaria Estadual da Agricultura (Seapi), Flávio Varone.
Varone apresentou à Administração Municipal e aos representantes das instituições que compõem o Comder a plataforma do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS) e a tendência de chuvas para a região nos próximos meses. A plataforma pode ser utilizada como importante ferramenta tanto para os produtores rurais quanto para a Defesa Civil e demais órgãos.
Conforme o meteorologista, desde o mês de setembro, a nossa região está com chuvas abaixo do normal, com exceção de dezembro que apresentou boa precipitação. “Nos próximos seis meses devemos ter uma condição de chuvas abaixo do esperado. Por isso, precisamos ter um pouco de cuidado neste período; teremos chuvas, mas ainda estaremos em uma condição de estiagem. A tendência é só reverter isso no segundo semestre de 2026”, salientou. Ainda conforme Varone, a chuva da última quinta-feira (12) foi positiva para os agricultores, mas insuficiente para acúmulo de água nos reservatórios.
Em Bagé, na quinta-feira (12), a precipitação na principal barragem da cidade, a Sanga Rasa, foi de 35 milímetros. Atualmente, o reservatório está 5,10 metros abaixo do normal.
O extensionista da Emater, Alex Sandro de Oliveira, também apresentou dados durante a reunião. Os levantamentos realizados pela instituição ainda não indicam perdas suficientes para que seja decretada situação de emergência no município, mas acendem o alerta para prejuízos no campo. “Temos hoje uma prospecção, com base nas condições climáticas, de uma perda de 15% da cultura da soja, por exemplo, com tendência de aumentar nos próximos dias. Acredito que daqui cerca de duas semanas, infelizmente, teremos números suficientes de perda para atingir o mínimo necessário para o laudo do decreto de emergência”, afirmou.
O diretor do Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb) e coordenador municipal da Defesa Civil, Max Meinke, explica que mesmo que o município ainda não tenha as condições necessárias para o encaminhamento de situação de emergência, avaliar os dados e ouvir as falas dos produtores são importantes para que seja fundamentado o decreto e a administração municipal tenha conhecimento dos problemas enfrentados pela comunidade. “Após o Carnaval, faremos uma nova reunião para avaliar os dados. Temos condições que sinalizam para que nas próximas semanas seja decretada a situação de emergência em Bagé”, ressaltou Max.
Como funciona o Decreto de Situação de Emergência:
Existe uma legislação que disciplina duas possibilidades: a Situação de Emergência e a Situação de Calamidade. Na primeira, o município consegue contornar a situação de anormalidade com ajuda, sendo possível a liberação repasses ao município. Enquanto a Calamidade é quando o impacto é maior e a população não consegue sair da situação sozinha, sendo necessário um amparo maior do Poder Público, como, por exemplo, em uma enchente de grandes proporções. “O decreto cria condições para se buscar uma resposta emergencial que pode mitigar os problemas da cidade. O que não garante, mas possibilita a destinação de recursos estaduais e federais ao município”, destaca Meinke.
“Temos um problema histórico de seca na nossa região. Decidimos pelo racionamento preventivo para tentar evitar de tomar uma decisão futura de maior impacto na vida das pessoas. E da mesma forma, hoje nos reunimos para discutir os impactos da estiagem, especialmente, na área rural. Seguiremos atentos aos problemas enfrentados no nosso município”, destacou o prefeito em exercício, Beto Alagia.
Uma nova reunião será realizada no dia 03 de março para debater os impactos da estiagem em Bagé.