Sais realiza coleta de carga viral em pacientes

Crédito: Giovana Pereira

Em Bagé, o Serviço de Atenção Integral à Sexualidade (Sais), é responsável pelo atendimento, tratamento e controle da carga viral de todos os pacientes portadores de DST’s e Hepatites, monitoramento viral realizado quinzenalmente.

A coleta de carga viral realizada na unidade na manhã desta segunda-feira (13) teve um diferencial, pois além do exame, os pacientes receberam lanche. Segundo a coordenadora do Sais, Eliziane Foletto, os alimentos foram ofertados com a finalidade de proporcionar bem-estar a eles e foram adquiridos com recursos próprios do serviço.

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Entre os pacientes que aguardavam a coleta do material, estava Bertoldo Soares, 49 anos, soro positivo há 20 anos. Ele conta que descobriu por acaso, no período de Carnaval, quando passava em frente ao antigo prédio onde ficava localizado o Sais, e uma enfermeira o abordou oferecendo um teste rápido de HIV, diagnosticando na hora a presença do vírus.
Bertoldo comenta que foi um grande susto, pois entre os amigos, somente ele foi o “contemplado”, como ele se refere. A demora em procurar o tratamento, fez com que Soares começasse apresentar alguns sintomas decorrentes da doença, inclusive algumas deformidades, corrigidas através de cirurgias. Desde que iniciou o tratamento, sempre procurou ajudar os demais portadores, chegou a fundar a Ong Reluvida, conquistando benefícios como passe livre, lanches e uma máquina para estampar camisetas, para gerar renda ao grupo, porém a falta de incentivo inviabilizou a continuidade do projeto.
Em relação ao seu tratamento para o HIV, Bertoldo comenta que tem uma vida praticamente normal. “Realmente o tratamento avançou e colaborou para melhorar a qualidade de vida do paciente. Antigamente, as pessoas tomavam 30 comprimidos por dia. Eu tomo apenas sete”, destaca. Quanto aos efeitos colaterais, ele diz que são bem tranquilos, fáceis de conviver. “Embora eu enfrente o preconceito que ainda é muito grande, a minha vida é muito boa, porque eu aprendi a me cuidar. Tenho tantas atividades durante meu dia que até esqueço que sou soro positivo”, diz.
Soares é aposentado e voluntariamente trabalha no Sais. Ele ainda comenta que pretende criar um novo grupo de apoio para portadores de HIV na unidade, pois acredita que o trabalho humanizado de acolhimento a estes pacientes é de suma importância.
Eliziane ressalta que o tratamento contra o HIV evoluiu a ponto de garantir vida quase normal aos pacientes, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente. “Disponibilizamos testes rápidos para diagnosticar essas doenças, onde em 20 minutos o laudo é emitido. Eles também são oferecidos em todos os postos de saúde, que ao verificarem o resultado positivo, encaminham os pacientes para este centro de referência”, defende.
Estima-se que mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo estejam atualmente contaminadas com o vírus HIV. Anualmente, entre 2,5 e 3 milhões de novas pessoas se infectam com o vírus. Cerca de 1/3 dos indivíduos contaminados não sabem que são portadores do HIV, pois nunca realizaram um teste para o diagnóstico, chamado sorologia para o HIV, dados informados pelo Ministério da Saúde.