Ibagé, a origem de um mito

A origem do nome da cidade, ainda é intrigante quando falamos do misterioso índio Ibagé.  Na etimologia, Bagé vem de Ibajé, que seria índio pagé que viveu nessa região, que por muito tempo foi habitada por índios Guenoas, Minuanos e Charruas.

Existem variadas hipóteses da origem da palavra Bagé, uma delas diz que o nome não vem do índio Ibagé e sim da linguagem indígena, que está relacionada com a ideia de “cerros”. Os índios chamavam os cerros de “mbayê”, e também existia a denominação de Passo do Bayé, que, com o passar do tempo, na fala do povoado, mudaria para Bagé. Outra história relata a existência do Índio Ibagé, quando, em 1752, Espanha e Portugal resolveram demarcar suas divisas entre um e outro reino. As forças espanholas e portuguesas incumbidas dessa missão, ao atingirem a Fazenda de São Miguel, hoje município de Bagé, foram detidas pelo índio Sepé Tiaraju, em nome do lendário Império Guaranítico. Na defesa de São Miguel encontrava-se o índio Ibagé, cujo nome se transmitiu à região, originando-se Bagé.
Mas o primeiro registro do nome Bagé, vem do ano de 1776, quando as tropas espanholas se retiraram do forte de Santa Tecla e dom Luiz Ramirez marchou, colocando o nome de Zerros de Balles ou Cerros de Bagé, que provém dos cerros de Baye, o que significaria para os índios “vindo do céu”, lugar elevado. O nome é anotado em um de seus mapas, talvez não com o objetivo de batizar o lugar, mas de criar pontos de referência. Nossa região viveu por muito tempo em zona de conflito, pertencendo por um momento a Portugal e, em outro momento, à Espanha. No meio desse conflito existiam os índios Charruas, Minuanos e Guenoas que, em sua maioria, viviam como nômades; portanto, sem fixar uma tribo nesta região, o que tornaria a existência de Ibagé discutível.
Por outro lado, conforme a história local mais conhecida, a origem do nome Bagé, se deve à existência, nesta região, de uma tribo de índios Charruas, comandados pelo velho cacique que veio a morrer em idade avançada. Seu sepultamento teria acontecido em um dos cerros de Bagé, a sudoeste da cidade.
De acordo com o “Vocabulário Indígena da Geografia Rio-grandense” de Souza Docca, publicado em 1925, Ibagé aparece como um velho índio, que não viveu isolado, pois era dócil, tratável e hospitaleiro, segundo a tradição o que, entretanto, não impedia que fosse temido e respeitado. Para outros historiadores é apenas um mito, uma lenda, pois não existe nenhuma prova cientifica de sua existência. Além disso, o que torna o índio Ibagé um mito é a falta de uma cronologia histórica.
Em suas pesquisas sobre o índio Ibagé, o historiador Tarcísio Taborda afirma que, como realidade ou mito, o índio estará perpetuado em nossa história, e sua presença, no passado, é indiscutível. Por mais que não seja história, um povo tem o direito de criar suas lendas.Por: Diones Franchi